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Gilberto de Sampaio Jr. 34 anos, Triatleta amador, amante da natureza e de bem com a vida

terça-feira, 20 de março de 2012

Difícil mas não impossível


Brasileiro de Longa Distância, isso sim, é uma prova difícil.
Depois de uma semana com tempo nublado e chuvas esparsas, já estava me animando com a ideia de ter uma prova num clima ameno. O problema foi que, dois dias antes da competição o tempo abriu, o sol deu o ar da sua graça e o calor ficou quase insuportável.
Foi neste clima desfavorável que sábado, dia 17 de março de 2012, foi realizada em território cearense uma das mais difíceis, provas do calendário brasileiro de Triathlon.
No belo cenário da cidade de Cumbuco, famosa pelos seus ventos e pela prática Kite Surf, 215 atletas de todo Brasil se encontraram para medir forças na única etapa do campeonato brasileiro e cearense da modalidade.
Esse ano, ao contrário dos anos anteriores, a natação que consiste em 3km aconteceu no mar ao invés da Lagoa do Banana. As condições estavam algo fora de controle, com correnteza e ondas que davam a tônica do que seria a prova, Já no aquecimento, pude ver que não seria nada fácil, como de fato não foi.
Posicionando-me mal na largada, tomei um lado com uma considerável correnteza. Com isso tive que fazer alguma força para atingir a primeira boia. Passando por ela, tomei uma grande perna a favor da maré. Daí, minha natação acabou encaixando. Para falar a verdade, me senti muito bem dentro d’água e consegui terminar a etapa em 45 minutos.
Meus problemas começaram quando subi na bicicleta. De imediato percebi que não era meu dia para essa prática e justamente numa prova onde se tem que fazer muita força. E força era justamente o que estava me faltando. Muito vento, algumas subidas e falta de força não são uma combinação favorável para nenhum atleta. Foi então que, logo nos primeiros quilômetros, alguns atletas começaram a me passar. Tentei acompanhá-los, mas não dava. Então, em 2 ou 3 quilômetros já tinha ficado para trás e muitos outros atletas ainda me passariam. Confesso que pensei em desistir, em alguns momentos, mas a possibilidade de estar em mais um mundial esse ano me fez seguir em frente.
Completei os 80km com muito sofrimento em 2:30hs e assim difícil foi também o inicio da corrida. Saí para cobrir os 20km com as pernas endurecidas e antes de completar a primeira volta senti uma cãibra que nunca havia sentido. Tive que parar de correr e, mesmo tentando, não conseguia nem andar. Intensos espasmos musculares me fizeram pensar novamente em abandonar a prova. Porém, quando um amigo passou correndo e me viu nessa situação, me aconselhou a ter calma, a andar um pouco e a me hidratar bem no posto seguinte. Seguindo o seu conselho, o que fiz foi andar alguns metros, tomar alguns copos de Coca-cola, e de Gatorade e algumas capsulas de sal que um outro amigo me forneceu. Aos poucos comecei a me sentir melhor e as coisas foram se ajustando ao longo da prova. Na última volta, inclusive, até foi possível imprimir uma boa velocidade e fazê-la bem rapidamente.
O que me moveu nesta prova, até além do que me achava capaz, foi a possibilidade de participar de mais um mundial esse ano. Cada vez que um momento ruim chegava, eu só pensava no mundial e no fim deu tudo certo. E, com tudo o que aconteceu, ainda tive a felicidade de ganhar e me tornar campeão brasileiro e campeão cearense na minha categoria (35 – 39). Uma conquista e tanto.
Quero agradecer em primeiro lugar a minha esposa Renata e ao meu filho, Antônio Gil, que me dão o indispensável suporte psicológico para enfrentar todas essas dificuldades. Além disso, mais uma vez, agradeço à Mynd Sportwear (Claudio e Kleber) por continuarem ao meu lado. Ao meu técnico Raul Furtado, a todos os parceiros que de alguma forma me ajudaram nesse dia como Gilvan, Carvalhinho, Eric e Chicão ofereço o meu reconhecimento especial.
Abraço a todos

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